A criatividade do petropolitano diante da negligência pública atingiu um novo patamar de ironia trágica. Na Estrada da Saudade, cansados de presenciar veículos com pneus rasgados e suspensões destruídas, moradores e motoristas decidiram "decorar" a via: uma poltrona velha foi colocada dentro de um enorme buraco no meio da pista.

O móvel, que agora serve como sinalização de emergência improvisada, é o símbolo máximo da ausência da Secretaria de Obras e da Comdep em um dos principais acessos da cidade.

O buraco, que já havia causado diversos acidentes e prejuízos mecânicos nos últimos dias, tornou-se tão profundo que a sinalização convencional (como galhos ou pneus) já não parecia suficiente para alertar quem desce a serra. A cena, que mistura o cômico com o absurdo, esconde um perigo real: a poltrona ocupa quase meia pista, forçando motoristas a invadirem a contramão em um trecho de visibilidade reduzida. É o "jeitinho brasileiro" levado ao extremo por pura falta de opção de quem paga o IPVA mais caro da região e recebe crateras em troca.

Enquanto a prefeitura mantém o discurso de "modernização" e foca em pontos facultativos, a infraestrutura básica dos bairros colapsa literalmente. A Estrada da Saudade, que já sofre com inundações e bueiros entupidos, agora vê seu asfalto se transformar em um queijo suíço. A presença de uma poltrona no meio da via não é apenas um alerta de trânsito; é um protesto silencioso e estofado contra uma gestão que parece estar "sentada" sobre os problemas da cidade, enquanto o contribuinte é quem cai no buraco.