O novo contrato de concessão da BR-040, operado pela Elovias, está sendo desenhado sob medida para o lucro da concessionária, enquanto o prejuízo sobra para o contribuinte.

Em uma manobra que revoltou os moradores da Região Serrana, o novo acordo autorizou um aumento abusivo nas praças de pedágio — tornando-a a rodovia mais cara do Brasil por quilômetro rodado — e, em uma tacada mestre de desoneração, retirou da empresa a obrigação de manter a BR-495 (Itaipava-Teresópolis).

O resultado dessa "vantagem contratual" não demorou a aparecer: sem a manutenção pesada que uma rodovia de montanha exige, a BR-495 sucumbiu. Na última segunda-feira (23/02/2026), a pista simplesmente afundou no km 23, abrindo uma cratera de um metro de profundidade que partiu o asfalto ao meio. Agora, com a rodovia interditada por tempo indeterminado e sob a responsabilidade empurrada de volta para o DNIT (Governo Federal), a população assiste ao isolamento entre Petrópolis e Teresópolis sem qualquer perspectiva de solução ágil.

Enquanto a Elovias celebra o faturamento recorde do Carnaval com as tarifas infladas, os usuários da Estrada das Hortênsias amargam o abandono. O ônibus que liga as duas cidades agora precisa dar uma volta absurda por Magé, triplicando o tempo de viagem. É o retrato fiel de uma concessão que "privatiza os lucros e socializa as crateras": a empresa fica com o dinheiro do pedágio da 040 e o cidadão fica com o asfalto esburacado e a pista colapsada de uma rodovia que foi estrategicamente excluída do contrato para não "atrapalhar" os dividendos.

📉 O Saldo do "Contrato Vantajoso": Tarifa: A mais alta do país, sem a contrapartida de segurança esperada (cadê a rampa de escape?).

Abandono: A BR-495, agora fora da concessão, volta a depender da burocracia e da falta de verbas do governo federal.

Caos: Interdição total da Serra Teresópolis-Itaipava, sufocando o turismo e o comércio regional.