Eventos, festas cervejeiras, e a cultura
Cultura em Segundo Plano: Entre Festas Cervejeiras e o Abandono de Patrimônios Históricos
Petrópolis encerra o ano com um contraste incômodo: enquanto o calendário de eventos e festas cervejeiras movimentou o turismo e o comércio, o setor cultural amarga perdas significativas. O Teatro Dom Pedro, principal palco da Cidade Imperial e símbolo da nossa identidade artística, permaneceu de portas fechadas durante todo o período, frustrando artistas locais e o público que aguardava ansiosamente por sua reabertura. O silêncio do teatro é o reflexo de um descaso que parece priorizar o entretenimento passageiro em detrimento do patrimônio perene.
Como se não bastasse a ausência de palcos, o final de 2025 reservou uma notícia devastadora para a história da arte brasileira: os graves relatos de danos ao valiosíssimo painel da pintora Djanira. A obra, doada generosamente pela artista ao Liceu Municipal Cordolino Ambrósio, sofreu com as consequências de uma restauração contestada e tardia. Ver um item desse quilate, de importância nacional, ser negligenciado nas mãos do poder público é a maior decepção cultural do ano, gerando uma onda de indignação entre intelectuais e moradores.
O balanço cultural do ano revela uma cidade que celebra em praças, mas deixa seus templos de arte e suas obras primas à mercê do tempo e da imperícia. A sensação é de que a cultura petropolitana está sendo reduzida a um acessório do calendário de eventos, perdendo sua essência de preservação e fomento. Para 2026, o desafio das autoridades será provar que a "Cidade Imperial" ainda valoriza a herança deixada por seus grandes nomes, indo muito além do brinde nos festivais.


