A crise na coleta de lixo em Petrópolis ganhou contornos ainda mais dramáticos durante uma audiência crucial realizada na última terça-feira (16/12), na 4ª Vara Cível. O encontro, conduzido pelo juiz Jorge Luiz Martins Alves e pela promotora Vanessa Katz, reuniu a cúpula do governo municipal — incluindo a presidente da Comdep, Fernanda Ferreira, e os secretários Fred Procópio e Fábio Júnior — além do vereador Júnior Coruja, para debater o futuro sombrio da limpeza urbana na cidade.

O alerta vermelho foi disparado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), que revelou dados alarmantes: o orçamento previsto para a Comdep em 2026 sofreu um corte drástico de 86,2% em comparação aos anos anteriores. Somado a isso, a companhia carrega uma dívida acumulada de R$ 36 milhões com fornecedores, o que inviabiliza a manutenção básica dos serviços e explica a irregularidade que a população sente na porta de casa.

Durante a audiência, a Promotora Vanessa Katz manifestou profunda preocupação com as "montanhas de lixo" espalhadas pelas ruas, alertando para o perigo iminente com a chegada das chuvas. O aviso foi profético: apenas um dia após o debate judicial, os resíduos acumulados foram arrastados pelos temporais, entupindo bueiros e agravando as inundações em diversos pontos do município, exatamente como o MP havia previsto.

Apesar da gravidade dos números e do caos visível nas ruas, a audiência terminou sem uma solução concreta à vista. Com o orçamento estrangulado e dívidas crescentes, a Comdep enfrenta um impasse que coloca em risco não apenas a estética da Cidade Imperial, mas a saúde e a segurança de todos os petropolitanos. A falta de um plano de contingência financeiro sugere que 2026 poderá ser um ano ainda mais difícil para a zeladoria da cidade.