A chegada da nova concessionária responsável pela BR-040, no trecho que liga o Rio de Janeiro a Juiz de Fora, tem sido recebida com ironia e indignação pelos motoristas petropolitanos.

A crítica principal recai sobre a "estratégia visual" da empresa: em vez de máquinas pesadas e asfalto novo, a rodovia foi inundada por cones e sinalizadores plásticos, que tentam mascarar a ausência de intervenções estruturais.

Enquanto a sinalização se multiplica, o bolso do usuário sofre o impacto direto. A BR-040 ostenta hoje uma das tarifas de pedágio mais caras do país, um valor que deveria garantir segurança e fluidez, mas que, na prática, parece não retornar em melhorias. O cenário é de contraste absoluto: de um lado, cerimônias pomposas com a presença de autoridades e anúncios de investimentos bilionários; do outro, o tráfego que permanece precário, com gargalos históricos, pavimentação irregular e a eterna espera pela finalização da Nova Subida da Serra.

A sensação de descaso é agravada pelo adiamento sistemático das obras prometidas. O motorista que paga caro na praça de pedágio sente que está sendo "engambelado" por um cronograma que nunca sai do papel, enquanto o trânsito flui entre balizadores laranja que apenas estreitam as pistas sem resolver os problemas de fundo. A cobrança agora é para que as agências reguladoras e o Ministério dos Transportes fiscalizem se o valor arrecadado está sendo convertido em engenharia real ou se a concessão se resumirá a uma eterna operação de sinalização de buracos.