Abandono urbano!
Mesmo fora do exercício do mandato, continuo sendo procurado diariamente por moradores de Petrópolis. A diferença é que agora não me abordam no gabinete, mas nas ruas, sobretudo nas primeiras horas da manhã, quando saio de casa a pé para trabalhar. É nesse contato direto com a realidade que se revela um retrato preocupante da nossa cidade.
Calçadas e ruas esburacadas transformaram-se em verdadeiras armadilhas urbanas. Idosos se equilibram como podem. Mães empurram carrinhos desviando de crateras. Trabalhadores arriscam quedas antes mesmo de iniciar o expediente. Pneus rasgados fazem a alegria dos borracheiros. Não se trata de um detalhe estético, mas de segurança pública. A omissão cobra um preço alto: acidentes, quedas, fraturas e sofrimento.
Nesta semana, a situação ultrapassou o limite do tolerável. A senhora Eduarda Camille, moradora do bairro Retiro, relatou em desespero o acúmulo de lixo que há dias não é recolhido regularmente. O resultado é previsível: infestação de ratos dentro de sua própria residência.
Ratos não são mero incômodo visual. São vetores de doenças graves como leptospirose, salmonelose, hantavirose, febre por mordedura ou arranhadura de rato e até mesmo peste bubônica. Muitas dessas enfermidades são transmitidas pela urina do roedor, que pode permanecer viável por até seis meses, prolongando o risco gerado pela incúria de um péssimo serviço de coleta de resíduos. Todas podem ser potencialmente fatais para humanos e animais. A presença de um único roedor visível costuma indicar a existência de dezenas, possivelmente centenas, escondidos nas imediações. Trata-se de um problema de saúde pública, não de retórica política.
A pergunta que ecoa nas ruas é simples e objetiva: quando a coleta será regularizada? Por que caminhões circulam com equipes reduzidas? Por que não operam com quatro coletores, aumentando a eficiência e evitando que bairros inteiros sejam deixados à própria sorte? A redução do número de trabalhadores torna o serviço ainda mais extenuante. Como apenas dois coletores poderão carregar até 13 toneladas de resíduos em um único dia de trabalho?
Não se governa com discursos. Governa-se com gestão eficiente, planejamento e respeito ao contribuinte. A população paga impostos e paga caro. O mínimo que se espera é que os serviços básicos funcionem.
Petrópolis não pode naturalizar o abandono. A saúde da população não pode ser tratada como variável secundária. A cidade exige respostas, ação imediata e responsabilidade administrativa. A precariedade dos serviços da Comdep é fruto da nomeação de gestores despreparados por critérios políticos, problema que também se repete em diversas secretarias municipais. O lixo acumulado nas ruas é, acima de tudo, o símbolo de uma gestão que precisa reencontrar o rumo. Continuaremos cobrando mudanças. Petrópolis merece.
- Mauro Peralta é médico e ex-vereador


